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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

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Geral - 31/08/2010
Jornal Paraná Centro (JPC) – Como é o primeiro contato dos alunos com a UEM?
Raimundo Neto – Iniciamos os trabalhos e os alunos tiveram aulas durante o período diurno, tanto de manhã, quanto à tarde, e pelo que percebemos, as atividades iniciaram com uma excelente presença, visto que o Curso de Educação Física trouxe todos os professores. Mesmo aqueles que não tinham aula, compareceram ao Campus de Ivaiporã, discutiram com os alunos as partes práticas e teóricas, como iria ser o andamento do curso, e achei muito legal! À noite, tivemos a abertura das aulas de História e Serviço Social.

JPC – A abertura do Campus da UEM, em Ivaiporã, atendeu ao pedido do governador Orlando Pessuti. Nesse caso, há alguma dificuldade relativa à implantação?
Raimundo Neto – Acredito que a Universidade Estadual de Maringá, quando inicia uma atividade em determinado município, como, por exemplo, em Ivaiporã, enfrenta algumas dificuldades, assim como qualquer instituição de ensino superior. Isso é salutar, porque é uma luta constante! A Universidade em Ivaiporã é irreversível. Agora, o andamento das atividades depende de apoio e, para isso, estamos obtendo da comunidade de Ivaiporã e da região, tanto no comércio, quanto junto aos políticos. Enfim, a comunidade está engajada no projeto. Pela experiência de implantação de outros campi, os equívocos que ocorreram noutros locais, não irão aparecer em Ivaiporã, e estamos aqui para conduzi-lo da melhor maneira possível.  

JPC – Existe recurso liberado para as reformas das salas que serão usadas no Colégio Estadual Barão do Cerro Azul?
Raimundo Neto – Estamos elaborando os projetos hidráulico, elétrico e estrutural, que deverão ficar prontos até o dia 15 de setembro. Além disso, vamos precisar de laboratórios, bibliotecas, secretaria, pontos de internet, telefone, estacionamento, enfim, a reforma necessária para que possamos ter as melhores condições de trabalho, para os funcionários, professores e para os alunos. No entanto, o local não vai comportar, nos próximos anos, os acadêmicos e funcionários da UEM. 
Estamos começando com 120 alunos, 17 funcionários e 11 professores, totalizando 150 pessoas. Já em março, entrarão mais 150 pessoas e assim sucessivamente. Dentro de dois anos, estaremos com 400 a 500 pessoas – se ficar apenas nestes três cursos. Mas, como há projetos de ampliação para outros cursos na área tecnológica, engenharia e saúde, serão necessárias novas estruturas.
Estamos providenciando, junto ao município e Câmara de Vereadores, a doação de uma área, próxima ao Ginásio de Esportes Sapecadão, onde será o futuro Campus da UEM. Aqui [Barão do Cerro Azul], deveremos ficar em torno de um ano e meio a dois anos, no máximo, enquanto se constrói o campus, para que tenhamos as instalações definitivas da UEM.

JPC – A estrutura será fundamental para que a UEM tenha mais força em Ivaiporã?
Raimundo Neto – Adaptações são sempre adaptações. Não é o ideal, melhora, mas não fica dentro do padrão. A UEM tem um padrão de sala de aula para 60 alunos, laboratórios, estacionamento, e um traquejo de trabalho. Por enquanto, estamos improvisados e temos sala para 40 alunos. Mas precisamos de pontos de internet e data show, uma vez que cada sala da UEM é equipada com o que chamamos de kit sala, que é provida de um computador e um data show, em que o professor não precisa instalar equipamentos: ele chega, coloca o CD, um pendrive e ministra a aula. Porém, é preciso que a estrutura permita. Esperamos que nos projetos e liberações dos recursos, para construção e estruturação, daqui a dois ou três anos, tenhamos uma cidade universitária, ou seja, com uma universidade de ponta como é a UEM, que é avaliada pelo MEC, como a primeira do Paraná e a 19ª do Brasil.

JPC – Como o mercado de trabalho vê um aluno formado pela UEM?
Raimundo Neto – Atualmente, há profissionais que são criados – digamos assim – pela UEM, que têm sucesso na vida profissional e, evidentemente, que em todos os cursos existem os alunos de destaque e aqueles que não se destacam tanto. Mas o papel da universidade é proporcionar a formação básica e de qualidade, que possibilite aos alunos terem as mesmas condições. Na área tecnológica, falta profissional qualificado, por exemplo, para tocar o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] do Governo Federal, não está a todo o vapor de construção, porque falta profissional. A qualificação do profissional passa pela parte básica, professores e por estrutura, e também pela vontade e pelo desejo do estudante. Não obrigamos e não possibilitamos um grande profissional se o acadêmico não quer. Quando o aluno quer e tem vontade, a universidade proporciona isso para ele.

JPC – Qual o percentual de professores doutores na UEM? Essa qualificação garante a qualidade do ensino?
Raimundo Neto – Sim! Garante! A UEM tem 1.462 professores e mais de 1.000 são doutores. A instituição possibilita que os professores se qualifiquem, além de serem doutores, fazem pós-doutorado, ou seja, o regime de trabalho da UEM possibilita e quase que obriga o professor a se capacitar, porque tem uma forma de trabalho e um currículo a ser preservado. Ele muda de nível e de ascensão, e isso acontece através da qualificação. Outra questão importante da qualificação é a busca de recursos, através de projetos de pesquisa, fontes públicas e de fontes privadas, que também são recursos importantes que vêm para a UEM. Para se ter uma ideia, no ano passado, a UEM obteve 8 milhões de reais para pesquisa e, este ano, são 7 milhões, ou seja, em dois anos, ela captou 15 milhões de reais, só para pesquisa e isso só se faz se os professores estiverem qualificados, porque é o nome do professor pesquisador, e quando ele não tem titulação, as fontes financiadoras não vão colocar recursos à disposição. Espero que isso aconteça também em Ivaiporã.

JPC – Os projetos que os acadêmicos irão participar beneficiarão a comunidade?
Raimundo Neto – A UEM tem vários tipos de projetos de pesquisa, ensino e de extensão. Nos projetos de ensino, o professor e o departamento envolvem a comunidade e a participação é fundamental para que o objetivo seja cumprido. A pesquisa é importante, quando ela é aplicada, mas, se ficar dentro da gaveta, sem aplicação, não é uma pesquisa adequada. Outra questão importante é a extensão em Ivaiporã. Pelo o que percebo da vontade dos professores e do departamento, irá promover vários projetos de extensão em Educação Física, História e Serviço Social. Além disso, a UEM tem o setor de saúde, em que os alunos podem desenvolver projetos nas áreas de saúde, enfermagem, odontologia e na medicina preventiva. Também podem ser desenvolvidas ações na prevenção de drogas e álcool, além de projetos para os agricultores. 
Coordeno projeto de treinamento de agricultores, em Maringá, e vou trazer para Ivaiporã, na parte de máquinas agrícolas e solo. Há também na área de irrigação, doenças, pragas e adubação. Com o apoio da comunidade, teremos uma cidade universitária diferente do que é atualmente.

JPC – O que o cidadão de Ivaiporã pode fazer para fortalecer a UEM em Ivaiporã?
Raimundo Neto – Defender o nome da UEM. Como que se faz a defesa da UEM? Acreditando na implantação, visto que a comunidade da região teve algumas frustrações com relação à implantação de uma universidade pública, que poderia ser outra, mas a UEM abraçou, porque ela tem por característica ter multi-campi. É uma universidade que atua em vários municípios, ou seja, tem seis campi – sem mencionar a sede. O interessante da administração da UEM é tratar os campi regionais da mesma maneira que trata a sede. Afinal, a UEM não existe apenas em Maringá. O tratamento será dado de igual para os campi e para a sede. Também faremos a integração entre os campi, por meio de confraternizações, eventos sociais, esportivos e culturais. A UEM permite, por exemplo, que se tivermos uma atividade cultural em Ivaiporã, os alunos e professores dos campi de Goioerê, Cianorte, Cidade Gaúcha e Umuarama venham a Ivaiporã.



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