Terezinha de Jesus Ribeiro Wolff nasceu, no dia 11 de janeiro de 1939, na localidade Sítio Boa Ventura, situada no município de Pitanga, e mudou-se para a cidade quando tinha 10 anos.
No Colégio e Internato Santa Terezinha, ela estudou entre a 1ª e 5ª série. Após o pai adquirir um posto de gasolina, no centro da cidade, Terezinha Wolff fez o curso ginasial, em Guarapuava.
Segundo a pioneira, o ensino no Colégio e Internato Santa Terezinha era muito bom. “Quando comecei a fazer o curso ginasial, em Guarapuava, o professor de Português me perguntou onde havia estudado o ensino primário. Expliquei que estudava no Colégio e Internato Santa Terezinha e ele disse-me que o estabelecimento de ensino deveria ser um excelente colégio, por causa da minha escrita”, lembra a ex-professora, confidenciando que ficou muito contente e orgulhosa, “porque, em Pitanga, havia um excelente colégio”.
Após fazer o ginasial, em 1962, Terezinha Wolff voltou para Pitanga, quando foi convidada a dar aulas de Português e Desenho Geométrico, para as turmas de 1ª a 4ª séries, no Colégio Estadual de Pitanga – atual Colégio Dom Pedro I. “Comecei a dar aulas, em 62, mas o estabelecimento de ensino foi criado na década de 50”.
Alguns anos mais tarde, ela se aperfeiçoou e fez “vigia”. Na época, era o maior aperfeiçoamento voltado ao professor e, inclusive, ficou um mês em Curitiba. Em seguida, resolveu fazer Faculdade de Letras. “Juntei-me a um grupo de professores e comecei a estudar em Jandaia do Sul, onde me formei em Letras/Franco/Português, em 1972”, conta a ex-professora.
Em 1983, quando se aposentou, Terezinha Wolff resolveu fazer pós-graduação.
Quando a pioneira começou a trabalhar no Colégio Estadual de Pitanga, lecionavam dez professores, as aulas duravam 50 minutos e os intervalos 10. “Na época, o ensino era muito bom! Os alunos tinham mais disciplina e interesse em aprender, porque os professores e os pais eram mais exigentes com os filhos”, refere.
Após lecionar alguns anos, em 1963, Terezinha Wolff foi convidada a integrar a Inspetoria Auxiliar de Ensino e, em 1964, a Inspetoria do Ensino Primário. “Na época, foi designada uma professora para inspecionar os colégios do município e da região, e me convidou para fazer parte da inspeção. Era um trabalho diferente e os professores procuravam orientações”, conta a pioneira.
Segundo ela, o exercício era parecido com o do Núcleo Regional de Educação. “Não era mais fraco e sim diferente. Cuidávamos das cidades de Ivaiporã, Palmital, Manoel Ribas, Jardim Alegre e São João do Ivaí”, cita.
Escolas isoladas
Quanto aos estabelecimentos de ensino que ficavam no interior do município, Terezinha Wolff explica que, na época, eram chamados de escolas isoladas. “As professoras trabalhavam com as turmas de 1ª a 4ª. Ou seja, elas eram multisseriadas”.
Mas, quando a pioneira passou a trabalhar na Inspetoria do Ensino Primário, sugeriu que as escolas passassem a funcionar mais próximas da cidade. Assim, seria possível formar uma turma de cada série para cada professor.
Em 1970, ela deixou o cargo de inspetora e começou a trabalhar como diretora do Colégio Dom Pedro I, que ficava estabelecido no atual prédio do Colégio Antônio Dorigon. “Na época, tínhamos quatro salas de aula e um professor para cada matéria. Acho que era mais fácil dirigir uma escola, justamente pela disciplina dos alunos.
É claro que existiam aqueles alunos mais peraltas, mas encontrávamos um jeitinho que corrigir as situações erradas”, compara. No que se refere às disciplinas, Terezinha Wolff lembra que existiam duas: Educação Moral e Cívica.
O fato que mais marcou a vida profissional da pioneira partiu da mãe de uma aluna. “Ela me pediu uma orientação na educação da filha, que era adolescente e estava um pouco desvirtuada. Segundo ela, a filha não queria estudar e tencionava sair de casa. Isso me marcou muito, porque existia confiança entre pais e professores.
Para mim, foi gratificante”, garante.
Das atividades extracurriculares realizadas na escola, a ex-diretora afirma que havia bastante disponibilidade dos professores. “Eles se ofereciam, por exemplo, para fazer peças teatrais e sem recompensa alguma.
Atualmente, não sei como funcionam as escolas, porque estou afastada há muito tempo.
Mas, naquela época, havia disponibilidade por parte dos professores e gostava de ver o empenho dos docentes. Inclusive, os alunos faziam apresentações em municípios próximos”, relata a pioneira, garantindo que a maioria dos alunos tinha civismos e patriotismo.
“Na época, fazíamos ensaios nas ruas e nos preocupávamos com o desempenho dos alunos.
Mas, no final, os ensaios davam certos. Além disso, tínhamos uma fanfarra, que iniciou com apenas três instrumentos: surdo, repique e um guerra”, recorda a pioneira, que garante guardar boas recordações da profissão.