Placídio Miranda, filho de Pedro Miranda e Marcolina Gonçalves, nasceu, em 1912, em Itararé (SP), cidade situada na divisa dos estados de São Paulo e Paraná. Aos 97 anos, conta que começou a trabalhar aos 5 anos de idade, colhendo algodão com o pai.
Em 1950, veio morar em Ivaiporã, juntamente com a esposa Carmelina Lopes e seis filhos. Diz que quando chegou ao município só havia mato. “A primeira pessoa que conheci foi o Joaquim Silvestre. Ele tinha comércio e trouxe a minha mudança.
Naquela altura pensei: estou no paraíso! Cresci e me criei no mato, por isso, gostei de ver Ivaiporã, que, na época, se chamava Sapecado, e nem era município”, conta o pioneiro.
Ele recebeu a reportagem do Paraná Centro, que foi levada pelo amigo, Nazareno Guerra.
jPC - Com que idade começou a trabalhar?
Placídio - Aos 9 anos de idade. O meu pai me levava para roça, onde trabalhava com uma enxada.
Ele era empreiteiro de algodão. Um ano depois, mudamos para o Paraná e moramos em Senjés, onde a terra era conhecida por causa do algodão.
O meu pai pegou dois alqueires de terras, plantou e colheu algodão. Depois, em 1950, nos mudamos para Ivaiporã e eu já tinha seis filhos.
jPC - Em 1950, o havia em Ivaiporã?
Placídio - Só mato! A primeira pessoa que conheci foi Joaquim Silvestre. Ele tinha uma casa de comércio. Na época, o nome de Ivaiporã era Sapecado... Só havia uma fileira de casas feitas de madeira. Quando cheguei, pensei: agora, estou no paraíso.
Criei-me no mato e gosto de mato. Então, comprei um terreno da Companhia Ubá. A cidade nem era loteada, mas a Companhia Ubá estava fazendo um levantamento das terras.
Inicialmente, havia escolhido dez alqueires, na Barra Preta, e comprei de um posseiro.
jPC - Como era a lei naquela época?
Placídio - No 38 (revólver)! Quando cheguei, me contaram que havia muitos posseiros. Eles não compravam as terras. Entravam no meio do mato, construíam ranchos e não deixavam ninguém trabalhar.
Quando o município começou a ser colonizado, primeiro, veio o Barrozinho, que era advogado. Ele combinou com a Companhia Ubá de entrevistar os posseiros para saber se tinham bens.
A maioria tinha posses. Mas os posseiros alegavam que tinham dinheiro. Daí, o advogado entrevistava os moradores.
Quando foi a minha vez, contei que tinha cabeças de gado, porcos, cavalos e que lidava com safra. Naquele tempo, ele cobrava 500 mil réis pela entrevista.
Era muito dinheiro! Depois, o Barroso pegou o dinheiro e foi embora... Passado um tempo, a Companhia Ubá mandou Zé Domingo tomar conta do escritório. Já os documentos eram feitos em Pitanga.
Na época, o Barrozinho aconselhou os moradores a fazer uma revolta para evitar que os posseiros perdessem os terrenos. Eles queriam desarmar o povo, mas não tinha jeito.
O povo vivia bem armado. Então, os posseiros se reuniram, todos armados. No ano que me mudei para cá, estava a caminho da casa de um amigo, Jango Moraes, quando me falaram que eu não ia conseguir passar pela área onde estavam os posseiros, porque estava tudo cercado.
Nesse dia, cerca de 50 homens da polícia cercaram o local. Eu estava na pensão do Rabaneda, onde posei, e vim com ele. Os posseiros estavam acampados à beira d'água.
O Palmiro Barbosa tinha um cafezal, onde a polícia localizou o pessoal numa baixada. Nessa hora, foi só um policial conversar com os posseiros.
Quando eles viram o policial, puxaram a armas. O policial avisou que estava ali para morrer e que se o matassem, não sobraria ninguém com vida, porque havia mais policiais em prontidão.
Nessa hora, alguém acenou com um pano branco e a polícia entendeu que eles estavam se entregando. Em seguida, foram desarmados.
Após a confusão, ficou um impasse: compra ou não compra as terras, porque as terras eram do Estado e não da Companhia Ubá, que pegou para colonizá-la. Mas, quando comprei as minhas terras, já estavam legalizadas.
jPC - Valeu a pena mudar-se para Ivaiporã?
Placídio - Valeu! Foi aqui onde criei os meus seis filhos...